"Os pruridos que esta decisão provoca a algumas almas sensíveis não são compreensíveis. Marine Le Pen violou a lei conscientemente, desviou mais de US$ 4 milhões durante vários anos e persistiu depois de avisada. Pelo próprio critério que defendia, que era o de aplicar a inelegibilidade vitalícia, a pena foi até suave.
A questão mais interessante não está, no entanto, aí, mas antes no fato de que é a democracia europeia que tornou possível a carreira desses políticos que a querem destruir.
É sabido que uma das principais críticas que políticos como Le Pen fazem à União Europeia é da sua falta de democracia, em comparação com a democracia nos Estados-nação. Mas na França, durante muito tempo, o sistema eleitoral não permitia aos Le Pen chegar ao Parlamento francês, como Farage não conseguia chegar ao britânico.
Foi graças ao Parlamento Europeu e ao seu sistema proporcional que eles conseguiram chegar a ser "revolucionários profissionais" em tempo integral. Agora é uma lei nacional que interrompe a sua carreira. É uma bela ironia, e eu estou saboreando cada momento."
